Moscas mortas no governo
Não cabe a este blog buscar culpados nas tragédias que ocorreram no último ano no setor aéreo brasileiro. Mas não deixaremos de expressar indignação com alguns setores do governo brasileiro pela falta de visão e respeito pelo seu povo.
Indignação com a ignorância do líder da nação que atira para todos os lados tentando mostrar ação, mas apenas deixando claro a sua falta de visão e capacidade de liderança. Anuncia medidas urgentes de construção, reforma, interdição, mando e desmando nos aeroportos do estado de São Paulo, mas que acabam por traduzir apenas uma única mensagem: o governo não tem um plano abrangente e consistente para desenvolvimento da infraestrutura do país. Um problema na infraestrutura de transportes deve ser abordado de forma ampla, não localmente com apenas mais ou menos aeroportos. Melhores rodovias, hidrovias, portos e mais linhas de trem – interligando não apenas cidades mas aeroportos e centros urbanos, por exemplo.
Tão preocupado em evitar que o acidente do dia 17 de julho afete negativamente sua imagem pública, o líder deixa vir à tona a sua ignorância em vários assuntos. Ignorância que o nosso país é uma economia de mercado ao usar o truque do discurso populista de atacar executivos que utilizam “jatinhos” para se locomover, sem demonstrar saber que empresas privadas normalmente sabem ponderar o custo/benefício de cada um de seus funcionários e executivos. Ignorância ao fazer comentário pejorativo com relação a esses mesmos executivos, não sabendo ele que, em geral, funcionários da iniciativa privada não são promovidos a cargos altos ou recebem salários generosos sem que demonstrem mérito, algo que parece raro nos altos escalões do governo brasileiro.
Indignação com a falta de pulso do presidente que não pune seus administradores que deixaram o caos reinar.
Indignação com os inúmeros órgãos governamentais, civis e militares, que supervisionam o setor aéreo e que apenas demonstram a lentidão de uma burocracia governamental, negando ao povo brasileiro a oportunidade de ser melhor servido pela iniciativa privada. Os mesmos órgãos que distribuem elogios a si próprios, completamente fora da realidade, desmerecendo o valor do patrono da aviação, Alberto Santos=Dumont. No caso de administradores, condecorações deveriam ser distribuídas àqueles que evitam a tragédia. Depois que uma tragédia ocorre, condecorações deveriam ser oferecidas apenas aos verdadeiros heróis, tal como os membros do corpo de bombeiros ou civis que dão a vida para salvar outros.