Um elogio tem preço?
Por Sidney Diniz
A recente declaração de Obama na reunião do G-20. de que Lula “é o cara” na verdade demonstra os kilometros de distância existente entre o preparo e a vaidade.
Obama estava, naquele momento, sendo simpático, cortês e porque não dizer, sedutor.
Sim, porque o Brasil domina a tecnologia de biocombustíveis que os EUA não conseguem tornar eficiente devido aos altos custos de processamento do milho.
Por outro lado, a vaidade de Lula demonstra um certo despreparo.
Algo do tipo: me canta que eu deixo.
É aquela velha história do mocinho da cidade que chega numa cidade do interior.
Basta um olhar, um gesto, uma piscadela para a mocinha interiorana sentir-se envaidecida e pronta a entregar-se aos encantos do mocinho.
Até aí nada anormal, exceto entrevista coletiva em que Lula afirmou em alto e bom som: ele só quis ser gentil, amigável.
Deixando de lado a troca de gentilezas e elogios típicos de quem senta numa mesa de negociação, o que nos preocupa mais e mais é Lula afirmar, na mesma entrevista que “É chique emprestar dinheiro ao FMI”.
Desculpe Lula, não é chique. É assustador.
Assustador pois esse plano de emergência significa que tudo o que foi feito e determinado até hoje financeiramente pelo mundo, estava equivocado.
Os bilhões de emprestimo a ser dado (US$ 4,25 bilhões segundo o noticiário), não resolvem o problema economico de nenhuma nação do mundo, não alivia em nada problemas de desemprego, produção ou alimentação em país algum do G-8, G-20 ou G-45 se este existir.
Serve unica e exclusivamente para atender aos ajustes políticos feitos nesta reunião. Ou seja: o elogio do Obama, dizendo que o Lula é o cara, nos custou US$ 4,25 bilhões. Quantia que seria muitíssimo bem utilizada, por exemplo, para dar impulso ao mercado produtor brasileiro.
A ilustração é cortesia de Orlandeli.
