La Mano de Dios
Por Sidney Diniz
Em 1986 a Argentina ganhou a copa do mundo por conta o Maradona e de seu gol polêmico.
Àquela época, dizia-se que o título não foi justo pois foi imoral.
Ou seja, a teoria de ganhar ludibriando o oponente, a platéia ou o juíz não cabe no esporte e não cabe em área alguma da vida.
Você deve estar se perguntando: mas o que isso tem a ver com o CresceBrasil?

Eu explico:
Por conta da profissão, estou envolvido de uma forma bastante distante, com a indicação da Fifa pelas cidades sedes para a Copa de 2014.
O cenário atual é o seguinte: teremos apenas 12 cidades-sede.
Porém, há mais candidatas. E é neste ponto que se percebe o equivalente brasileiro ao gol do argentino.
As cidades estão movimentando-se para erem escolhidas como cidade-sede pela Fifa. Segundo consenso entre as empresas envolvidas, falta apenas definir as sedes do norte (que por questões políticas terá uma sede, para mostrar ao mundo o universo amazônico) e a sede nordestina (que tem mais cidades que vagas, naturalmente)
Até aí, nada anormal. Parece tudo legítimo.
Ocorre que as cidades, seus políticos e empresários estão numa correria
e aprovando, à toque de caixa, projetos de reforma ou construção de novos estádios sem ter a certeza que eles realmente serão escolhidos.
Vamos considerar o exemplo do estado de São Paulo.
É normal que exista apenas uma sede da copa no estado.
No entanto, a Arena Barueri que já está pronta tem-se movimentado politicamente,
o Palestra Itália aprovou um projeto de contrução de uma Arena com a construtora W Torre, o ex jogador Marcelinho Carioca foi à TV oferecer seu CT para alguma seleção, além da Ponte Preta em Campinas que tem um estádio e pretende reformá-lo para 2014. Sem contar, obviamente, o Morumbi que ainda precisa cumprir um cronograma de obras para cobrir o estádio, fazer estacionamento e prever um sistema de transporte que facilite o acesso ao estádio.
Considerando este cenário, podemos dizer que é legítimo que cada um se prepare, se movimente, faça seu lobby e conquistar o direito de sediar um grupo da Copa.
O que não é legítimo e é bom que se preste à devida atenção é que estes projetos
tem sido citados com custos que vão de 180 milhões a 400 milhões de reais.
Não é pouco dinheiro. Se juntarmos este movimento coletivo, de que cifras estamos falando?
É conhecido, até pelas folhas que caem no outono brasileiro, que não há neste movimento coletivo nada de patriótico, desenvolvimento social, econômico ou geração de trabalho, renda e turismo para as cidades envolvidas.
Há neste excesso de propostas uma grande e única vontade: lucro rápido e fácil às custas do BNDES, dos estados e municípios para poucos dirigentes ensandecidos.
Este movimento é sim, uma referência ao argentino e a mais profunda e imoral: “mano de dios”.