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21/11/2009

Consciência sim, feriado não

Por Sidney Diniz

Nos últimos 4 anos tem sido implantado um feriado no Brasil no dia 20 de novembro. Este feriado refere-se ao Dia da Consciência Negra.

Gradualmente ele tem sido implantado nas cidades, nos estados e hoje já está quase tornando-se um feriado nacional.

Sem contar que junto à este mesmo movimento, tem surgido leis de incentivo às cotas para negros e pardos nas universidades brasileiras, e que aos poucos ganha contornos institucionais também.

O fato é que não cabe no país mais um feriado. Novembro já é um mês extremamente difícil pois com 2 feriados nacionais (Bandeira e proclamação da República) acaba-se por se tornar um mês pouco produtivo.

Pouco produtivo em todas as áreas diga-se. Intelectual, financeira, industrial, comercial, cultural, etc.

A alegação do movimento pela igualdade dos negros é pouco produtiva também em sua concepção. Pois ao invés de promover a reflexão através de um debate intelectual, de manifestações culturais e folclóricas para oferecer ao restante da população um olhar mais analítico e menos crítico à cultura e importância do negro em nosso dia-a-dia, a idéia de instituir mais um feriado é no mínimo uma forma de não ser levado à sério.

Não retiro o mérito da questão. Sou solidário à ela inclusive. Acho que apenas aqueles que se manifestam e cativam seu espaço conseguem construir seus objetivos, espaços e discurso.

O fato é que, como brasileiro, preciso dizer: a abordagem está equivocada. Até porque, se fôssemos usar um paralelo bastante similar, poderíamos entender o que proponho.

Esta terra, do Pau Brasil, da Falézias, do Morro de São Paulo, descoberta pelos portugueses era na verdade dos índios.

Se fizermos um estudo histórico, o índio foi infinitamente mais dizimado, amputado, amordaçado que o negro. E historicamente o Brasil comemora o dia do índio (principalmente na escola primária) e isto não é o suficiente para que o dia do índio seja feriado.

Não retiro a importância do negro na formação da identidade do brasileiro, mas é preciso dar importância correta, na devida dimensão deste movimento. Nem mais nem menos.

Todos os povos possuem em sua origem, o povo dominante Isso aconteceu com o índio americano, com o aborígene australiano e por aí vai. Mas isso não transformou este resgate de identidade, de importância cultural num evento para parar o país.

É por isso que sou a favor de um passo atrás. Consciência sim, feriado não.

18/11/2009

¿Acaso no somos también mexicanos?

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