Por Sidney Diniz
Como sabemos, o sistema eleitoral americano está estabelecido há muito mais tempo que o sistema eleitoral brasileiro.
Nos EUA além das campanhas oficiais, ainda existe a cobertura jornalística, que também serve de modelo para a cobertura das eleições brasileiras.
Há nos EUA ainda, um mercado editorial infinitamente maior e mais estabelecido que o brasileiro.
Desde muito tempo existe uma produção editorial que antecede as eleições e que fornece, ao eleitor, uma quantidade razoável de informações que o auxiliam na escolha de Seu candidato.
As biografias – autorizadas ou não – contribuem para a formação do pensamento e da decisão do eleitor médio, ou minimamente interessado.
Assim foi com Reagan, Bill Clinton, George Bush e Barack Obama.
Existia uma produção editorial antes de sua eleição.
No Brasil, ao contrário, só Fernando Henrique tinha alguma coisa publicada, mesmo assim voltado apenas para seu pensamento acadêmico e sem pretensão de formar uma diretriz de pensamento mais elaborado sobre sua maneira de pensar e fazer política. Tanto que foi utilizada amplamente pelos adversários políticos para dizer ao eleitor como ele mudou de opinião com o passar dos anos.
Fato é que se o Brasil tivesse uma produção editorial mais madura, poderíamos ter um pouco mais de referência para estabelecer nossas decisões políticas.
É certo que ter uma produção editorial não significa extamanente uma garantia de sabedoria ou mesmo de eficiência, já que temos o exemplo prático de Bush que pregava uma política externa baseada na humanidade e o povo americano descobriu, após sua eleição, que na verdade seu governo seria uma grande incógnita.
Também não podemos ignorar que um país que votou uma lei chamada “ficha limpa” apenas no ano de 2010 não pode ter uma preocupação extrema com o nível de informação a que o eleitor tem acesso. Convenhamos, debates políticos com 1 minuto de resposta para cada rodada de perguntas não é, e nunca será, suficiente para que um eleitor forme sua opinião sobre um candidato ou legenda.
Estamos caminhando, mas o caminho ainda está bem no início. Ou se formos parafrasear o universo literário, não saimos sequer do prefácio